As novas-já-velhas regras ortográficas do nosso português brasileiro, que pegaram mas ainda não engataram totalmente, não afetam minha vida.
A queda do trema, bem mais idosas que as mudanças nas regras, também não afetam. Ou não afetavam...
Os pontinhos sobre o ‘u’ são até divertidos, mas neste caso eles são essenciais. E o caso ao qual me refiro é para a palavra tranquilidade.
Tranquilidade sem trema não é a mesma coisa. Para as outras palavras, como linguiça, frequência, e as demais, o trema não é deselegante mas não faz diferença positiva também. Já na tranquilidade ele tem uma função bem mais nobre.
Os pontinhos sobre o ‘u’ de tranqüilidade dão uma leveza incomum à palavra. Observe. Fazem-na flutuar como se fossem ganchinhos que a penduram no ar. Mostram uma união quase fraternal das letrinhas que sequenciam a última vogal do alfabeto. Oferecem um equilíbrio grandiloquente e refinado ao termo escrito.
Daí que, em mais um momento de delírio quase demente, peguei estas qualidades que talvez só eu tenha entregue à palavra e estendi para seu significado. Porque a palavra não é nada sem seu sentido.
A tranqüilidade é leve. Tranquilidade é sempre elegante. Tranquilidade faz flutuar e nos dá equilíbrio. Um refino que poucos conseguem ter e manter.
Mas tenho que concordar com os linguistas e estudiosos que propuseram o fim do trema, mesmo que isto inclua a palavra tranquilidade. Apesar de tudo, trema não combina com tranquilidade. É a ambiguidade do trema (conjugado do verbo tremer) que me devolve a realidade dos fatos. Trema de frio, trema de medo, mas nunca trema de tranquilidade.
Já diria José Luis Datena: esta é a grande realidade.
Este texto contém 7 palavras que perderam o trema. Tremam!
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